Curso de Monitoramento de Mídias Sociais em Brasília: como foi a última edição de 2016

Nos últimos 3 e 4 de dezembro, aconteceu em Brasília a última edição do curso de Monitoramento de Mídias Sociais do ano. A turma, composta de profissionais de instituições públicas, agências e empresas, acompanhou o professor Wesley Muniz no percurso de cada passo de um projeto de monitoramento de mídias sociais, do briefing ao relatório.

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Nesta edição, a professora e pesquisadora Jaqueline Buckstegge apresentou metodologia do IBPAD de análise e identificação de personas a partir das mídias sociais:

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Conheça os outros cursos do IBPAD e fique de olho nas atualizações para as novas edições do curso de Monitoramento de Mídias Sociais em 2017!

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Relatório do BID sobre gênero na América Latina inclui colaboração do IBPAD

mixed-methods-analysis-of-policies-perceptions-and-social-media-bidO recém-lançado documento Mainstreaming Gender in Latin America and the Caribbean: Mixed-Methods Analysis of Policies, Perceptions, and Social Media é uma publicação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Inter-American Development Bank) que busca identificar oportunidades para aumentar a divulgação sobre o debate de gênero no grupo. O BID acredita que entender o papel central da igualdade de gênero na América Latina é essencial para suas ações de promoção do desenvolvimento sustentável na região.

A publicação, de 85 páginas, reúne métodos mistos realizados pelos pesquisadores e analistas da organização (a publicação é assinada por Tracy Betts, Paula Castillo Paez e Mathew C. Kearney) a partir de dados, informações e relatórios de diversos fornecedores de toda a América Latina. Foram utilizadas metodologias para gerar dados do sistema de feedback do próprio banco, surveys por IVR (Interactive Voice Response), monitoramento e análise de mídias sociais e text mining sobre os documentos operacionais e estratégicos do banco.

No sumário de recomendações, cinco focos de ações são apresentados: mobilizar lideranças e suporte a indivíduos chave; aperfeiçoar monitoramento de inclusão de recorte de gênero nas atividades do banco;  aumentar esforços de comunicação; incrementar acesso a dados e informação; e continuar com o alinhamento às prioridades regionais.

O IBPAD foi parceiro da Ideia Inteligência, que realizou pesquisa com diversas metodologias como IVR (Interactive Voice Response) e análise de mídias sociais. O Instituto foi responsável por esta última, onde estudamos diversos macro-temas relacionados a gênero em cinco países: Brasil, Argentina, México, Colômbia e Guatemala.

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O monitoramento foi realizado em novembro e dezembro de 2015, coincidindo com o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher. As conversações online em cada país foram analisadas, assim como campanhas específicas e contextuais:

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Além do monitoramento e análise dos dados dos cinco países com métodos quanti-qualitativos, os relatórios de cada país incluíram também análise de redes e influenciadores nas plataformas selecionadas. A imagem abaixo, por exemplo, identifica os principais clusters entre as 2,2 mil páginas descobertas no Facebook argentino:

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Nas conclusões do relatório, as autoras destacam:

The social media pilot showed that social media analysis can be used to improve how the Bank communicates regarding gender issues, as it identifies the key communication influencers, hashtags, and important dates to increase awareness of what the IDB is doing in terms of gender. The analysis also elucidates what is being talked about in social media during a set monitoring period, and this can help identify issues that perhaps were not being considered in established analyses.

Acesse o relatório completo no repositório de publicações do BID e conheça nossos serviços em Pesquisa e Consultoria.

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Professoras do time IBPAD ganham prêmios em São Paulo

No último sábado, duas professoras do time IBPAD receberam prêmios de reconhecimento profissional. O Prêmio Share, que reconhece agências, empresas, campanhas e profissionais de mídias sociais, teve lugar na Mackenzie e reuniu centenas de participantes.

Débora Zanini, professora IBPAD, mestranda e profissional em monitoramento e etnografia, recebeu o prêmio na categoria Profissional de Monitoramento e Métricas

Dani Rodrigues, mestre, professora no IBPAD e outras instituições como Digicorp-USP e Real-time na Coca-Cola recebeu o prêmio Profissional do Ano. É a segunda vez que é premiada: ano passado ganhou o prêmio de Profissional de Planejamento.

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Foto: Dani Rodrigues

Deixamos público nosso parabéns e orgulho em tê-las no time IBPAD! Estamos ansiosos para as atividades de 2017.

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100 Tendências para 2017 segundo a JWT Intelligence

O Innovation Group da J. Walter Thompson divulgou hoje seu anual relatório sobre quais devem ser as tendências de cultura, sociedade e mercado para o ano de 2017. O “The Future 100: Trends and Change to Watch in 2017” apresenta 100 tendências originais que prometem ajudar os leitores a ficar por dentro de novos e emergentes comportamentos dos consumidores.

Cada tendência listada dentro das dez categorias – cultura, tecnologia e inovação, viagem e hospitalidade, marcas e marketing, alimentos e bebidas, beleza, varejo, saúde, estilo de vida, e luxo – apresenta o comportamento dos consumidores atualmente, sinais de que o interesse está crescente e uma análise original que explica por que as marcas e profissionais do mercado devem ficar atentos. Destacamos seis tendências que consideramos relevantes:

08 – The Attention Economy

12 – Civic data

36 – Unexpected plaftorm tie-ups

37 – Political consumers

83 – The second screen comes first

88 – Social media credit scores

O relatório enfatiza que as novas tecnologias já não são mais ficção, mas chegaram ao mundo moderno. Entretanto, atravessamento culturais fazem com que as pessoas se reapropriem de suas usabilidades e encaixem suas funções nos contextos sociais em que estão inseridas. Para as marcas, é imprescindível olhar para o futuro e se planejar para lidar com consumidores ainda mais conectados, com mais voz e mais influência.

Confira o relatório completo clicando neste link.

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Inteligência artificial em pesquisa: para onde vamos?

livro-monitoramento-e-pesquisa-em-midias-sociais-320pxO futuro da inteligência artificial baseada em big data é muito próspero e as possibilidades são enormes, mas é preciso manter o pé no chão e conhecer seus limites e potenciais com quem realmente a desenvolve. É nesse cenário reflexivo que Rodrigo Helcer e Milton Stiilpen Jr fecham o nosso novo livro, “Monitoramento e Pesquisa em Mídias Sociais: metodologias, aplicações e inovações”, apresentando três tecnologias “primárias” aplicada à inteligência em mídias sociais que têm se consolidado tanto na academia quanto no mercado.

“IA sozinha, sem orientação do homem, perde seu poder. Seria uma varinha sem mago. Uma capa sem dono. A máquina é bem-vinda para somar, e não para tirar. E manter com o homem o que lhe é nato: a alma, a emoção e a sensibilidade criativa.”

Antes, os autores desmistificam a competição ente inteligência natural e inteligência artificial, defendendo que uma deve sempre servir de suporte para que a outra se desenvolva de forma mais rica. Como bem pontuam, “A IA traz consigo um despertar de consciência para o uso correto de nossa inteligência natural”, permitindo que dedicamos nossa inteligência a atividades menos operacionais e mais criativas. As novas tecnologias devem servir para ajudar a superarmos os “vilões” do trabalho com internet atualmente: o gigante de dados (limpando apenas o que se é útil e acionável) e o ladrão de tempo (permitindo realocar nossos esforços para melhores atribuições).

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No capítulo você conhece (mais sobre) as tecnologias de: processamento de linguagem natural (natural language processing, em inglês); aprendizado de máquina e redes neuras (maching learning, em inglês); e visão computacional (computer vision ou image intelligence, em inglês). Além dos conceitos por trás de cada tecnologia e aplicações práticas (com cases reais), são apresentados os principais avanços que prometem uma mudança no trabalho de social analytics e os principais desafios a serem enfrentados, estes principalmente relacionados às questões de falta de investimento para o desenvolvimento das tecnologias.

Faça o download do livro em nosso site.

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Como pesquisar memes?

Fazer pesquisa na internet é sempre um desafio. Quando o objeto de pesquisa é praticamente intrínseco às características de volatilidade, descentralização e (re)produção em massa, o trabalho fica ainda mais difícil. Para enfrentar esse obstáculo, o grupo de pesquisa coLAB da Universidade Federal Fluminense, em parceria com pesquisadores do grupo Labic da Universidade Federal do Espírito Santo, tem trabalhado exaustivamente para desenvolver métodos científicos e abordagens metodológicas rigorosas para responder à pergunta: como pesquisar memes?

livro-monitoramento-e-pesquisa-em-midias-sociais-320pxNo capítulo “Monitorando memes em mídias sociais”, presente no nosso recém-lançado livro, “Monitoramento e Pesquisa em Mídias Sociais: metodologias, aplicações e inovações”, os pesquisadores Viktor Chagas e Janderon Toth apresentam um panorama do trabalho que tem sido desenvolvido na academia para dar conta da pesquisa com memes. O capítulo apresenta a justificativa sócio-político-cultural para o desenvolvimento de pesquisa com memes, introduz alguns objetivos comuns para o estudo, discute a importância do (e como fazer o) recorte da pesquisa e disponibiliza algumas abordagens metodológicas, técnicas de coleta e mineração de dados que eles têm utilizado para realizar o trabalho.

“A produção de sentido operada por eles [memes] explicita eventuais flutuações da opinião pública a respeito de um dado tema. Em resumo, se um determinado tipo de conteúdo faz sucesso e viraliza no ambiente das mídias sociais, chances há de que ele incuta uma certa percepção de um indivíduo ou um grupo de indivíduos sobre a realidade social, apreensível somente pelo pesquisador atento à poli expressividade e à polissemia dos memes.”

O texto ainda se preocupa com algumas premissas anteriores à pesquisa, contextualizando historicamente como tem se desenvolvido esse tipo de pesquisa e apresentando propostas de conceitualização do objeto estudado, admitindo que “é difícil reconhecer o limite entre o que é e o que não é um meme entre os conteúdos que circulam pelas mídias sociais”. No entanto, mostra que é possível superar as limitações semânticas e pesquisar memes, sendo necessário (apenas) um rigor metodológico por parte do pesquisador para que suas análises sejam feitas de forma responsável e coerente. Para isso, criar categorias de gênero  são um passo importante, tendo comumente sido utilizado para esse tipo de pesquisa a classificação por formato (memes imagéticos, textuais, sonoros e audiovisuais) e categorias nativas (image macros, exploitables, look-alikes, selfies, snowclones, etc.). Chagas e Toth, entretanto, sugerem uma categorização dos gêneros de memes mais específica:

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Os autores chamam a atenção para quais motivos levaram (ou levariam) à pesquisa: A linguagem dos memes?; A economia dos criadores e compartilhadores de memes?; As motivações e efeitos de seus influenciadores?; As relações de poder?; A cultura dos fãs?; A produção autoral?; Os processos de ressignificação por que passam as mensagens?; As mudanças sociais que causam? O objetivo bem definido pautará importantes decisões metodológicas, como o recorte de pesquisa – por tema (evento digital, autoria), relacional (nós, conexões), por espaço (virtual settlement e virtual placement), por tempo (externo e interno). Essa é uma da problemática abordada pelos autores no capítulo, que continuamente apresenta as dificuldades e discute como eles têm trabalhado cada desafio.

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Por fim, vale mencionar que diversas ferramentas (em sua maioria, gratuitas) são apresentadas como aparato metodológico para pesquisa – o que pode ser uma mina de ouro para quem tem interesse em conhecer novas ferramentas para a análise de mídias sociais. Os métodos de visualização de dados e análise tanto quali quanto quantitativa também são discutidos, apresentando um mapa descritivo para a atuação de pesquisadores em interesse. Este, que deve desde início ter consciência de que trabalhar com pesquisa e monitoramento em mídias sociais significa estar “sujeito às regras definidas pelos gestores das plataformas, que podem, inclusive, alterar parâmetros importantes mesmo para uma coleta continuada já em curso”. Entretanto, os benefícios e a riqueza desse tipo de pesquisa podem ser valiosos para quem deseja compreender uma das diversas particularidades da sociabilidade em rede e pode utilizar isso a favor de compreensões sociais, culturais, políticas ou mercadológicas.

“A pesquisa com memes ocupa, portanto, um segmento de ações estratégicas e de inteligência, que possibilitam o desenvolvimento de campanhas de marketing, produção de narrativas transmídia ou experimentação com alternative story forms (ASFs), pesquisas de opinião e muito mais. Conhecer os memes que circulam a respeito de um determinado produto de uma das marcas de sua empresa ou de um candidato para o qual você presta serviço é, em grande medida, conhecer de forma mais apurada os modos de comunicação de suas audiências e diagnosticar mais detalhadamente o comportamento de comunidades de fãs em seu entorno, norteando, a partir daí, ações estratégicas e corporativas.”

Faça o download do livro em nosso novo site.

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IBPAD se destaca como referência em pesquisa sobre o mercado de inteligência em mídias sociais no Brasil

A pesquisa “O Profissional de Inteligência em Mídias Sociais no Brasil” de 2016 acaba de ser lançada. Em seu sexto ano, o levantamento reuniu respostas de 368 profissionais brasileiros da área sobre perfil profissional, experiência, remuneração, empresas, formatação e referências na área. Estamos muito felizes com os resultados do IBPAD e de nossa rede de colaboradores.

Escola mais Lembrada – fomos a instituição de ensino mais lembrada na área, fruto de nosso esforço e especialidade, ao estar 100% focada em pesquisa e análise de dados:

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Cursos mais Lembrados – as diversas edições dos cursos de Monitoramento de Mídias Sociais e Etnografia em Mídias Sociais nos garantiram lugar na lista de cursos mais lembrados:
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Blogs e Portais que servem de referência – com mais de uma dúzia de professores de ponta publicando no blog, não poderia ser diferente: galgamos um lugar de destaque entre os blogs mais lembrados. Blogs individuais também se destacaram: na liderança o blog de nosso diretor de pesquisa Tarcízio Silva; e o Insightee do Pedro Meirelles, um de nossos assistentes de pesquisa, também marcou lugar.
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Profissionais Referência – pelo terceiro ano consecutivo, nosso diretor de pesquisa em comunicação e co-fundador Tarcízio Silva lidera a lista de referências. Parabenizamos duas professoras nossas, Dani Rodrigues e Débora Zanini, que também compõem a lista. Ficamos também muito felizes pelo reconhecimento da academia pelo mercado: a lista é dominada por pesquisadores acadêmicos que atuam no mercado, ligando os dois universos.profissionais-referencia-o-profissional-de-inteligencia-de-midias-sociais-no-brasil

Empresas mais Lembradas – além do reconhecimento de nosso papel na formação do mercado, ficamos felizes com o reconhecimento de nossos serviços comerciais de pesquisas ad hoc pelos clientes. Para a pergunta “Quando se fala em inteligência em mídias sociais, qual empresa vem a sua mente?” ficamos em terceiro lugar, junto a outras grandes empresas com muitos anos de existência.

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Confira a pesquisa completa no slideshare da Ana Claudia Zandavalle:

Gostaríamos de agradecer outra vez o reconhecimento! Veio em um momento chave para a nós, com a comemoração de 1 ano de IBPAD e lançamento do livro “Monitoramento e Pesquisa em Mídias Sociais“. Nos esforçaremos cada vez mais para honrar os votos!

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IBPAD lança seu primeiro livro: Monitoramento e Pesquisa em Mídias Sociais

livro-monitoramento-e-pesquisa-em-midias-sociais-320pxO primeiro livro do IBPAD foi lançado! Monitoramento e Pesquisa em Mídias Sociais: Metodologias, aplicações e inovações foi organizado por Max Stabile e Tarcízio Silva, fundadores do instituto.

Em mais de 360 páginas, os 23 autores investigam e ensinam como rastros e traços textuais, imagéticos, sonoros, navegacionais, demográficos e comportamentais são construídos, compartilhados, editados e remixados como subprodutos da interação cotidiana na internet.

O prefácio foi escrito por Fábio Malini, professor e pesquisador da UFES, líder do influente LABIC. Nas palavras do professor,

este livro é uma espécie de manifesto de uma geração brasileira de cientistas de dados, que mescla competências do campo da estatística, da criação algorítmica, do processamento em banco de dados, da análise sociológica-comunicacional e da visualização de dados“.

A primeira parte do livro oferece o que há de melhor atualmente das melhores práticas, conceitos e referências das metodologias de monitoramento e pesquisa em mídias sociais, através dos capítulos: Inteligência de Mídias Sociais no Brasil, por Ana Claudia Zandavalle; Análise de Sentimento, por Skrol Salustiano; Informação e Tagging, por Ronaldo Araújo e Dora Steimer; Abordagens da coleta em mídias sociais, por Marcelo Alves; SAC e Social CRM, por Marcelo Salgado; Relacionamento por Clarissa Motta; Gestão de Crises, por Mariana Oliveira; Brand Awareness, por Juliana Dias; e Comunidades de Marca, por Andrea Hiranaka.

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A segunda parte busca tratar de aplicações específicas e inovações como: Etnografia para Mídias Sociais, de Débora Zanini; Estudo de Público / Personas, por Tarcízio Silva e Yuri Amaral; Pesquisando Memes, de Viktor Chagas e Janderson Pereira Toth; Análise de Redes, por Max Stabile e Tarcízio Silva; Influenciadores, por Gabriel Ishida; Jornalismo de Dados, por Soraia Lima; Campanhas Eleitorais, por Max Stabile e Jaqueline Buckstegge; e Gestão do Conhecimento, por Cinara Moura.

Merece menção o apoio da Stilingue: além de apoiar as próximas fases de divulgação e articulação em torno do livro, colabora com o posfácio do título, escrito por Rodrigo Helcer e Milton Stiilpen Jr, sobre inovações relacionadas a inteligência artificial.

Com revisão, edição, layout e projeto editorial da Uva Limão, a publicação será lançada em diversos formatos digitais para leitura em computadores, tablets e e-readers.

Através desta publicação, o IBPAD continua sua missão de produzir e organizar conteúdo e inovação em pesquisa e análise de dados. O livro será material didático em diversas atividades do instituto eestá disponibilizado digitalmente de forma gratuita. Faça o download em nosso novo site.

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A polarização política no Brasil em 2016 – Big Data e Social Network Analysis

[Texto do prof. Neylson Crepalde,  Doutorando e Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais e membro do GIARS (Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Análise de Redes Sociais)]

Neste post vamos usar ferramentas de Big Data para estudar o grande movimento de polarização política que vem ocorrendo no Brasil nos últimos meses. Para isso, vamos analisar posts das páginas da UNE e do MBL, organizações estudantis assumidamente de esquerda e direita respectivamente. Para isso, utilizamos a ferramenta Netvizz.

UNE

A UNE (União Nacional dos Estudantes) é uma organização da sociedade civil de representação estudantil com posicionamento político assumidamente de esquerda. De acordo com a própria página da organização:

“A UNE foi fundada em 1937 e ao longo de seus 78 anos, marcou presença nos principais acontecimentos políticos, sociais e culturais do Brasil. Desde a luta pelo fim da ditadura do Estado Novo, atravessando a luta do desenvolvimento nacional, a exemplo da campanha do Petróleo, os anos de chumbo do regime militar, as Diretas Já e o impeachment do presidente Collor. Da mesma forma, foi um dos principais focos de resistência às privatizações e ao neoliberalismo que marcou a Era FHC.”

Vamos começar com uma análise preliminar dos dados usando uma nuvem de palavras. Maiores informações sobre o procedimento de limpeza das postagens e sobre o uso do pacote tm podem ser vistas aqui.

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Agora vamos tentar identificar alguns assuntos através da clusterização hierárquica das palavras das postagens.

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O vocábulo mais citado nas postagens da UNE foi a palavra campus. A UNE tem se preocupado em atualizar os leitores sobre quantas e quais são as universidades ocupadas no Brasil. Por se tratar disso, a palavra foi retirada de nosso Corpus de análise para que possamos identificar outros assuntos relevantes. O momento das ocupações estudantis nas escolas e universidades acontece em oposição à PEC 55 e à MP do ensino médio. As palavras contra, pec e 241 formando um cluster reforçam a ideia de oposição à PEC 55 e à MP do ensino médio. O grande cluster posicionado no meio da figura tem palavras como reforma, ensino, médio, luta, ocupações, resistência reforçando ainda o mesmo assunto.

Usaremos agora uma matriz termos X documentos para elaborar uma rede semântica.

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Como podemos ver, a rede reforça os resultados da clusterização hierárquica mostrando um grande assunto sendo desenvolvido nas postagens da UNE. Não há diversificação mas todas as palavras formam um componente gigante conectado.

Comentários

Vamos olhar agora para os comentários na página da UNE. Seguiremos as mesmas estratégias analíticas, inclusive a exclusão da palavra campus.

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As principais palavras encontradas na nuvem de palavras são bastante parecidas com aquelas das postagens. Vamos investigar o fluxo de comentários no tempo.

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O gráfico apresenta três picos de comentários nos dias 12/10, 26/10 e 15/11. Após uma rápida consulta ao Google, não parece haver nenhum motivo especial para esses picos para além dos feriados.

MBL

A análise da página do MBL (Movimento Brasil Livre) foi um pouco mais difícil. Trata-se de uma página muito mais movimentada do que a página da UNE. No período selecionado (17/09 a 17/11), o Netvizz identificou 2248 posts. Para viabilizar a análise, foram coletados apenas os 200 comentários mais relevantes.

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Agora fazendo a clusterização hierárquica.

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Tanto na nuvem de palavras quanto no dendograma é posível observar dois sites, a saber, a loja da MBL e um site PayPal para fazer doações para a organização. Além desses sites, outros dois aparecem com grande frequência (foram retirados da nuvem e do dendograma por serem excessivamente grandes): um deles para inscrições no congresso nacional do MBL e outro para doações financeiras para o mesmo congresso através da plataforma kickante.

Para além de palavras como movimento, brasil, livre, mbl que caracterizam a organização, percebemos que Lula também recebe grande atenção nas postagens (tanto quanto o nome da organização em quantidade). Há um cluster apenas com a palavra contra indicando um posicionamento político específico, outro cluster com o nome do político recém-eleito Fernando Holiday e um grande cluster com as palavras dilma, esquerda, petistas e com as palavras congresso, nacional, colabore, participe.

O MBL parece claramente chamar a atenção para seu congresso nacional convidando as pessoas a participarem e também com reiterados pedidos de ajuda financeira. Ao mesmo tempo, se posicionam contra o movimento de esquerda brasileiro. A palavra escolas sugere um posicionamento também contra as ocupações estudantis.

Usaremos a matriz termos X documentos gerada pela clusterização hierárquica para elaborar uma rede semântica.

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Comentários

Vamos olhar agora para os comentários na página da MBL.

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A nuvem de palavras dos comentários do MBL também é bastante parecida com a nuvem das postagens. Vamos investigar o fluxo de comentários no tempo.

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É possível perceber que a página da MBL possui uma movimentação bem maior em relação à pagina da UNE. Os comentários giram em torno dos 2500 comentários com apenas um pico no último dia registrado (17/11).

Por fim…

A página da MBL possui uma quantidade maior de comentários em relação à UNE e também possui uma regularidade maior nesses comentários. Mais pessoas interajem regularmente com essa página. Os pedidos constantes de ajuda financeira e as propagandas sempre presentes do congresso nacional do MBL e de sua loja de souvenirs onde vendem camisetas com os dizeres “O Brasil venceu o PT”, “Eu derrotei o PT”, “Fora PT”, algumas autografadas pelo apresentador Danilo Gentilli, canecas com a foto do juiz Sérgio Moro, dentre outros.

A página da UNE, por sua vez, tem menos comentários e menos postagens. Suas postagens convergem para a temática das ocupações e da resistência contra a PEC 55 e a MP do ensino médio. Apesar de haver na página pedidos de auxílio financeiro, esses parecem ser mais esporádicos em comparação com o MBL. Parece não haver vendas de souvenirs.

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Assista palestra completa de Daniel Marcelino sobre o pacote SciencesPo para R

Em junho deste ano o IBPAD se juntou ao Núcleo de Estudos e Pesquisa em Políticas Públicas, Governo e Gestão (NP3-UnB) para realizar a primeira edição dos Seminários IBPAD, com o tema “Ciência de Dados e Sociedade”. O evento reuniu no Auditório da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília pesquisadores de diferentes áreas – Ciência Política, Economia e Ciência da Computação – para discutir a metodologia de análise de dados em estudos da sociedade e política.

O cientista político Daniel Marcelino foi um dos palestrantes a falar para o auditório lotado sobre a análise de dados na sua área, apresentando o pacote para R de sua autoria, “SciencesPo” – que potencializa o software através da operacionalização de conceitos clássicos da Ciência Política. Pesquisador do IPEA, Marcelino desenvolveu sua apresentação introduzindo o conceito e histórico por trás do projeto, demonstrando suas aplicações e apropriações por diferentes públicos do mundo inteiro e exemplificando alguns usos para a análise política.

Confira a apresentação completa logo abaixo:

 

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